número 2 abril de 2008

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sumário deste mês


01_ editorial.
02_ Casa do Brasil, Saudosa Maloca.
03_ bandas galegas: Festicultores Troupe.
04_ espaços: Caminho Real.
05_ culinaria: Cozido Mineiro.
06_ Os espelhos do homem na caminhada.
07_ exposiçao: Brasil por Brasil.


01_

Editorial

Depois do êxito do primeiro número,levando em conta as críticas de nossos leitores,seguimos com a Valeu!!

Se alguns dos leitores experimentaram o strogonoff de camarao, vamos ver como sai o cozido mineiro.

Coordenar e editar a revista para nós é como se fosse um jogo e os convidamos a jogar conosco, caso queiram mudar as reglas do jogo.

Estamos contentes, hoje finalizamos a Valeu,usando a rede wifi da Casa do Brasil em Santiago de Compostela, pensando já no seguiente número que pretendemos que seje melhor e mais interesante.

Valeu!!

 

 


 

02_

Casa do Brasil, Saudosa Maloca.

 

Há sonhos que as vezes se perdem com o tempo,outros que, como sonhos que são por sua natureza parecem impossíveis,longe,irreal e inatigível.

Depois de anos de perseverância, um desses sonhos se realiza.

A Casa Do Brasil se torna real, idealizada por Ana Maria Pinto e Xurxo Troncoso, ela brasileira e ele galego amante da música brasileira.

Esse récem, mas grandioso projeto tem grandes expectativas, as quais todos nós podemos participar,a cultura brasileira será representada em Galicia.

Se poderá provar a comida,bebidas e coquetéis da colunária brasileira e o melhor da música típica do país.

O espaço estará aberto a todas as manifestaçoes artísticas.

Hoje nós compartimos de um local, uma idéia, uma alternativa diferente para construir e reconstruir nossos ideais.

Não falamos de um local, ou de um restaurante, mas de um espaço cultural onde acontecerá, cursos, palestras, concertos e degustaçao.

A Casa Do Brasil não pretende ser uma embaixada, queremos que seja um espaço não só para nossa gente, mas também para os amigos da nossa gente,curiosos e amantes da cultura brasileira,admirada por gente de todo mundo.

Queremos compartilhar com todos a realizaçao desse sonho.

“Casa Do Brasil em Compostela”.

 

 

Texto: Joel Bucio | Desenho: Luis Izquierdo | Traduçao: Ana Pinto

 

03_
Toma lá, dá cá com Festicultores Troupe.


Banda galega, música balcânica que se escuta ao leste,banda eletrificada que com “sketchs,” música e humor.Estes artistas energéticos, recarregam suas baterias com licor de café, aguardente e vinho para “semear a festicultura”. Buscadores e investigadores de música para adotar ao seu estilo próprio de carnaval, de Xinzo para o mundo, surge Festicultures Troupe. Nascida há 3 anos,com sede em Compostela, nos apresenta uma maneira de distinguir o que se tem na mente além, de sua criatividade.

 

Quando foi a última vez que...

…que as pessoas “festicultivaram” com a banda?
….no último show, em todos os shows.

… como foram as últimas notícias na imprensa?
A imprensa,sempre foi muito solicita com o grupo,a última entrevista foi no carnaval em Xinzo. A verdade é que a rádio e a TV galega tem dado boa oportunidade as bandas.

… qual a maior surpresa que vocês tiveram?
A última festa que fizemos, a surpresa foi tanta, seguimos surpreendidos porque nao recordamos nada da festa (risos)

…último show fora de Galicia?
Nas festas de Burgos, 3 dias tocando pelas ruas.

festicultores troupe

 

 

Texto: Joel Bucio | Traduçao: Ana Pinto

 


 

04_ espaços: Caminho Real

A História dos Caminhos

Há cerca de 300 anos, muitas jazidas de ouro e diamante foram descobertas na região centro-sul do Brasil, até então colonizado por Portugueses. Utilizando velhas trilhas dos índios Guaianás, alguns bandeirantes, saindo da região de São Paulo, cortaram matos e serras e abriram um caminho para facilitar a locomoção e assim o transporte entre o litoral e a região mineradora. Mais tarde este caminho, que ligava Paraty a Ouro Preto, foi apelidado de Caminho Velho. A Coroa Portuguesa interessada em recolher impostos de todos aqueles que mineravam o ouro e o diamante construiu alguns registros de passagem e decidiu que apenas aquela estrada poderia ser utilizada para sair da Capitania de Minas Gerais.

A estrada passou a ser utilizada exaustivamente por inúmeros aventureiros que sonhavam com o enriquecimento precoce... Alguns anos depois, com a expulsão de piratas e ladrões do Porto do Rio de Janeiro e da Ilha Grande, o governo Português incentivou a construção de uma segunda via em direção a “terra das montanhas”. Garcia Rodrigues, um explorador com vasta experiência, planejou e executou a construção de um Caminho Novo, do Rio de Janeiro a Ouro Preto, mais rápido e mais preparado para receber o enorme fluxo populacional que migrava para as cidades mineradoras. Logo após a sua conclusão, a Coroa Portuguesa transferiu parte de seus registros para este caminho e decretou ilegal a utilização do Caminho Velho. Existia ainda um terceiro caminho, o dos Diamantes, ligando Vila Rica ao Arraial de Tejuco (Diamantina). Privilegiado pela beleza cenográfica da Serra do Espinhaço, esta via se destacou a partir de 1714 com a descoberta das “pedras brilhantes” abundantes na região.

Por estas estradas passaram imigrantes, tropeiros, boiadeiros, escravos, representantes da coroa, inconfidentes e figuras lendárias, hoje imortalizadas pela memória falada do povo singular e hospitaleiro que habita suas margens. (E é para divulgar este universo fantástico que o Instituto Estrada Real trabalha estimulando e conduzindo as ações no turismo, promovendo um desenvolvimento sustentável destas cidades e vilarejos onde a história, a cultura e a natureza exuberante, se fundem.)-institucional.

 

 

Texto, Foto e Video: www.estradareal.org.br

 

05_

culinária: Cozido Mineiro.

 

Ingredientes:

2 colheres de sopa de azeite
1 colher de sopa de manteiga
1 cebola
1 dente de alho amassado
1/2 kg de músculo
Sal e pimenta a gosto
2 pimentões vermelhos
1 cenoura
1/2 repolho
1/2 repolho roxo
4 batatas
50 g de azeitonas pretas sem caroço
50 g de azeitonas verdes sem caroço
4 palmitos
1 xuxu
Cheiro verde a gosto

Preparo:

- Colocar o azeite e derreter a manteiga em uma panela de pressão.
- Acrescentar a cebola picadinha, o alho e a carne até dourar.
- Temperar com sal e pimenta a gosto e colocar água até 3 ou 4 dedos acima da carne.
- Juntar a cenoura cortada em rodelas e os pimentões cortados em tirinhas.
- Tampar a panela de pressão e cozinhar por 10 minutos.
- Abrir a panela e acrescentar, o repolho roxo cortado em tirinhas, o xuxu e a batata cortada em cubos
- Tampar novamente a panela, deixar dar pressão e cozinhar por mais 10 minutos.
- Abrir a panela e acrescentar os palmitos cortados em rodelas, as azeitonas pretas e verdes.- Tampar novamente, deixar dar pressão e cozinhar por mais 5 minutos.

- Colocar o cheiro verde a gosto e servir.

 

Site do autor.

 

06_

Os espelhos do homem na caminhada.

"Por Kezo Nogueira”

 

O verbo peregrinar abrange diferentes significados. Pode expressar o simples percorrer de um caminho ou um outro percorrer, devotado a interiorização. Nossa atitude perante a estrada é que determina o caráter do nosso caminhar. Ao abrir a alma no caminho estabelecemos uma troca sincera entre o meio ambiente e nosso coração, para que possamos aprender a enxergar nossa alma na paisagem, como um espelho. Assim, recebemos as lições da natureza e em troca, deixamos nela nossas vibrações, que irão sutilmente inspirar outros. Isto é santificar.

Temos no Brasil diversos roteiros onde se pode praticar a peregrinação interiorizada. Um dos mais interessantes é a Estrada Real, no estado de Minas Gerais. O termo se refere aos caminhos trilhados pelos colonizadores desde a descoberta do ouro. São muitos os trechos que podem ser percorridos e cada trilha esconde tesouros históricos, culturais e belezas naturais. O caminho foi usado por imperadores, soldados, mercadores, músicos, aventureiros e intelectuais que carregavam ideais de independência. Atualmente a Estrada Real é formada por 177 municípios, sendo 162 em Minas Gerais, oito no Rio de Janeiro e sete em São Paulo.

Do outro lado do oceano, temos o Caminho de Santiago, uma ancestral rota que se estende por toda a Península Ibérica até a cidade de Santiago de Compostela, no extremo oeste da Espanha. São centenas de construções civis, militares e religiosas acrescentadas através dos séculos, declaradas Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

A Estrada Real e o Caminho de Santiago são locais sacralizados pela postura dos homens em busca de interiorização. O que se busca na peregrinação transcende a paisagem. De fato, o mundo seria um lugar mais harmônico se cada homem visse o caminho a sua frente com os olhos voltados para dentro. A Estrada Real e o Caminho de Santiago transpondo a geografia para se transformar no chão que há embaixo de nossos pés, onde quer que se esteja. Esta é a verdadeira transformação pela qual o ser humano moderno tem que passar: o abandono da noção seletiva, desta visão distorcida que no faz intuir equivocadamente que o sagrado está apenas nas igrejas, nos altares. Não é desmistificar os caminhos. E sim mistificar cada caminho, na acepção de mistificar como comportamento contemplativo, interiorizado. O sagrado veste cada passo que damos, em qualquer estrada ou caminho. Assumir uma postura de interiorização é nossa escolha, e uma escolha muito mais simples do que pensamos, que vai além de nacionalidade ou poder místico. Qualquer lugar é o lugar certo para nos encontrarmos, para encontrarmos nossa verdade interior.

Os lugares sagrados do mundo não são inúteis. Eles existem para que possamos tornar cada lugar a sua semelhança, assim como as escrituras sagradas aconselham que cada homem seja a semelhança de seus Deuses. Como disse John Lennon, “estive em todos os lugares e só me encontrei em mim mesmo”. A geografia é uma pitada pitoresca e todas placas apontam para o mesmo lugar. Boa viagem, interna e externa.


07_ Brasil por Brasil.

"de Alexandre Rosalino.”

Ao entrar em contato com a obra pictórica de A.Rosalino, somos levados à uma viagem por um mundo repleto de sentimentos e emoções. Sentimos o artista plenamente situado nas imagens cotidianas reveladas por pessoas em ação, em movimento, gesticulando, conversando, cantando e dançando, tornando seus quadros uma janela aberta para a vida.

A.Rosalino, nascido em Belo Horizonte, em 1972, nos conta que começou desenhando as histórias que seu pai contava sobre seus antepassados e relação dele com o congado, quando, ainda, menino, sua família foi morar em São Roque ( SP ). Nesta cidade do interior paulista, onde morou e estudou, até retornar a Belo Horizonte em 1992, conheceu o modo de vida de imigrantes italianos e japoneses, o que estimulou seu interesse pela busca das tradições de sua gente, presentes nas histórias contadas por seu pai.

O intenso convívio familiar durante a estadia em São Roque o marcou profundamente, levando-o a pensar sua arte como uma forma de mostrar as tradições dos tempos de seus avós, por medo de que as gerações mais novas não conheçam as coisas do Brasil, e assim as interpreta por meio da código da casa ou da família, apontado por Roberto da Mata, que é visceralmente vinculado a tradição. A tela “A Costureira”, sua mãe, é um exemplo claro dessa leitura, quando ele a traduz “costurando um pensamento”, num cenário fascinante, onde não falta nada do que se encontra numa casa simples de uma família do interior, incluindo a mistura dos ambiente.

Assim, A.Rosalino com suas telas, que são marcadas pela simplicidade, pelos detalhes das coisas que a gente vê acontecer todo dia mas não percebe, pela exuberância das cores, retrata os lugares, o prazer, a alegria e o trabalho de sua gente, como gosta de dizer.

As obras de A.Rosalino estarão, expostas na Casa do Brasil,no período de 29 de abril a 10 de maio de 2008.
Juntamente com a exposição acontecerá o lançamento do Livro infantil a Princesa e o Vento,escrito por Martha Rodrigues editado pela editora Mazza, onde o artista participa como ilustrador.

 

Site do autor.

 

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